sexta-feira, 27 de abril de 2012

RETRATOS DE UM PORRA LOUCA





         Fernando nasceu em um lar de pedras e cercado por terra vermelha, com unhas e pés sujos não deixava de estampar no rosto sua alegria por andar descalço em meio ao barro vermelho.
         Andou muito cedo, desde pequeno seu sonho era se tornar alguém importante, alguém da televisão, principalmente se fosse ou jogador de futebol ou piloto de fórmula 1. Vivia correndo atrás de uma bola, ou se aventurando em ladeiras com seu carrinho do Senninha.
         Fernando cresceu com medo de fantasmas, assombrações, escuro, cachorro, a música do globo repórter e até galinha, mas como que pra toda criança isso era normal, essa fase iria passar. Bem o medo da galinha ainda não passou, mas essa história fica pra depois.
         Já longe da terra, perto do asfalto e em um lar de madeira Fernando, descobriu que acordar cedo, matemática e futebol (esse ainda dava pro gasto) não era o seu forte.
         O lar de madeira era velho, mas muito feliz, seu telhado era torto e quando olhava pra ele parecia estar sorrindo.
         No lar de madeira Fernando cultivava amizades, fazia inúmeros churrascos, incomodava a vizinhança com seu heavy metal alto, passava o dia olhando as menininhas que passavam na rua e começava a pegar gosto pela vida noturna.
         Fernando namorou uma única vez na vida, e o lar de madeira presenciou esse feito.
         O lar de madeira de tão velho parecia não estar mais sustentando tanta felicidade, começaram a vir às reformas e o seu telhado começou a parar de sorrir.
         Fernando era um rapaz trabalhador ajudava sua família no que fosse preciso, não gostava mais fazia, algumas vezes de cara feia outras nem tanto, mas estava lá.
         Fernando começou a adquirir opinião sobre vários assuntos, não queria ir pro exercito, não gostava da idéia de ter que trabalhar braçalmente, não gostava de sol, não gostava de horário, não gostava de estudar (mas gostava de ir até a escola) não gostava de outros tipos de musica (e é chato até hoje), arranjou muitas brigas no lar reformado e mal acabado com isso.
         Fernando só queria era festar, beber, pegar as menininhas, aprontar na escola e no final das contas acabar como centro das atenções. As vezes conseguia, outras vezes se fodia. Um verdadeiro porra louca.
         O lar reformado mal acabado foi repartido ao meio e em uma das metades e foi construído um novo velho lar, bonito por fora e escuro por dentro. Apesar de novo já parecia estar desgastado com o tempo, seu telhado não sorria mais, era reto e indiferente.
         Lar desgastado vidas desgastadas, magoas e rancores foram adquiridos por Fernando nesse tempo.
         Fernando teve que olhar a realidade de outra forma, viu que teria que lutar pra continuar sonhando, alguns apoiavam outros reprovavam, mas Fernando era teimoso feito seu avô Chico quanto suas escolhas e opiniões. A única diferença é que seu Chico não errava nunca, já Fernando, ah o Fernando sim errou, caiu se machucou quebrou a cara, mas levantou e percebeu que cair era um pretexto a mais da vida para provar a ele que era capaz de se levantar, (agora de volta ao lar de madeira, um pouco mais discreto, mas sorridente) fazê-lo perceber que a família e os amigos são o suporte para felicidade. E mesmo que as pessoas não sejam as ideais, os amigos não sejam tão amigos assim, os amores não sejam tão perfeitos como no cinema, Fernando percebeu que ser grande é ser feliz, e que pra ser feliz é preciso dar valor as pequenas, simples, belas e verdadeiras coisas que a entidade ingrata chamada vida lhe proporciona, e que mesmo que brigue, que sofra e que chore por algo ou alguém, nunca, jamais devera guardar algum rancor, porque a vida passa e com ela ele passara também, e passar pela vida sem ser percebido é uma tolice imensa.
         Fernando uma indecisão ambulante, mergulhado em uma viagem só de ida por caminhos, desconhecido, talvez perigosos mas muito divertidos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ENSAIO SOBRE O AMOR DURADOURO



Se não fosse fácil amar não seriamos nem mesmo concebidos...
O problema esta na forma que agimos quando pensamos estar amando.
Não seria eu o dono do amor maior
Nem do melhor
Pensar em amar é diferente de amar e pensar
No amor as pessoa não se completam, pessoa incompletas não amam
Penam
 O grande amor se da entre pessoas já completas e que se fazem bem
a monotonia é a inimiga da felicidade
a falta de liberdade amiga da infidelidade
não traímos quando pensamos em ter ou temos outra pessoa
traímos quando nos falta lealdade e amizade
não seria leal fazer com que nos privemos de algo por amor
não seria amigo achar que o certo de amar é pensar uniforme
pertencer a mundos diferentes e respeitar diferenças é amar
saber sentir saudades sem chorar é amar
amar é mais que uma relação destinada ao sexo
amar é igualmente olhar a todos com felicidade
não existe diferença entre amor ou amores
se ouve-se, amor não seria uma única palavra
mas sim varias de intensidades diferentes
amar a alguem ou algo mais do que tudo....
é o mesmo que deixar de amar a si mesmo
quem não se ama não ama a ninguém
vaga por sentimentos de dor e angustia
pois pensa precisar de algo ou alguem que supra suas faltas
faltas, da falta de saber amar
o amor não é algo complementar a vida
é a essência da existência
não saber amar é não saber viver
passar pela existência sem ser percebido.

sábado, 23 de julho de 2011

Pequenos ventos

Pequenos ventos aos assopros
Atravessam nossos poros
Olhos e sentimentos
Como flechas de fatos
Passado, presente
Amores ardentes
Desilusões mortíferas

Pequenos ventos providos
Do arrependimento amargo
Anos mal resolvidos
Por falta de afago
Da felicidade explicita
Em uma entidade ingrata
Vida!

Pequenos ventos de morte
Passam por cadáveres em pé
Que vagam por um planeta distinto
Faminto!
Cobrando por sua respiração
Por sua falta de inspiração

O solitário humano
Animal vegetal
Provido da profundeza vital
Aniquilado por sua dose viral
Vírus mortal

Pequenos ventos
Sopram ao longe o tempo
Nosso tempo de viver
E de amar

terça-feira, 19 de julho de 2011

TARDE

Minha alma espera por algo inexistente, algo sobrenatural.
Minha alma espera por algo insistente, algo viral.
Minha alma espera por algo real, algo evidente.
Minha alma espera por algo leal, algo convincente.

Meu ser espera pela terra que hà de me cobrir
Meu ser espera pela fétida carne que há de me consumir
Meu ser espera pelo véu de flores que hà de me cobrir

Meu cérebro capta atentamente a falta de vida
Meu cérebro capta atentamente a falta de amor
Meu cérebro capta atentamente a falta de clamor
Meu cérebro capta atentamente a falta de louvor

Meu corpo habita demônios
Minha mente habita neurônios
Meu ser habita Hormônios
Minha alma habita.......
Habita.......
Meus pensamentos se tornam errôneos

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Por dias Melhores

Por dias Melhores
Flutua-te pelos teus sonhos
Perde-te pelos teus becos
Morra-te em teu próprio mundo
Cuida-te de tua vida
Seja-te quem quizer ser
Esqueça-te de teu passado
Esqueça-te de teu futuro
Viva-te, Viva-se, Viva você.

Berenice

A se Berenice
Me ouvisse
Talvez me dissesse
Que se não fosse
Pela prece
Não visse
Que disse
Que vozes
Ouvisses
Que muito claras
Pareciam raras
E que de tão caras
As caras que fizesse
Não dirias que fosse
E se não ouvisse
E visse
Amaria
Berenice.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Rotina noturna

Bêbado aos trancos e barrancos
Lembro-me vagamente de alguns brancos
Sentados em bancos
Pareciam-me muito, atiradores francos.
Que seguiam meus passos carrascos
Esses que guiavam-me por buracos
Feitos com blocos alados
Com seus fundos alagados
Para que me fizesse acuado
Ao caminhar deslumbrado
Com pensamentos circulados
Circulares decorrentes do álcool
Que nesse dia calado
Fez-me barulhos assoprados
De mundos assombrados
Por bêbados aloprados